Prensa obreira

XXII Jornadas Libertárias

27/10/2014 20:00
31/10/2014 22:00

Cartaz jornadas

A próxima segunda-feira, 27 de outubro, começarão as XXII Jornadas Libertárias da CNT de Compostela com a seguinte programação:

XXII Jornadas Libertárias
Levamos um mundo novo nos nossos corações
de 27 a 31 de outubro, 2014

Segunda-feira, 27
Juanma Agulles
Sociólogo
Os limites da consciência e a superação da sociedade tecnológica
Revestidas de uma camada de alta tecnologia, as nossas sociedades contemporâneas continuam imersas no processo de industrialização apressada que iniciou há dous séculos. Os problemas da despossessão social crescente, a organização burocrática, a espoliação da natureza, a violência e a repressão não só não foram resolvidas, mas foram agudizadas até o ponto de pôr em dúvida a sobrevivência de grande parte do mundo que conhecemos.
A crítica do que nos distrai está marcada, então, com as pegadas da destruição. Perante a enormidade das tarefas por acometer, temos que evitar a tentação do atalho retórico, da apelação em forma de ladainha a uma Revolução que de um só golpe o transformasse tudo, ou a descrição de uma origem pura e perfeitamente harmónica de que nos temos afastado e a que será possível regressar simplesmente com desejá-lo.
[É] necessário reconhecer primeiro os limites da consciência para tentar estabelecer os limites ao desenvolvimento de umas sociedades tecnológicas que caminham, sonâmbulas, para o desastre.
Juanma Agulles é autor dos livros Non legor, non legar. Literatura y subversión e Sociología, estatismo y dominación social, e participa na revista de pensamento crítico Cul de Sac.

Terça-feira, 28
Martim Paradelo
Historiador do cinema
O cinema como representação da sociedade. Uma focagem materialista
Analisarão-se os diferentes modos de representação cinematográficos a partir da perspetiva da sua posição com respeito à ideologia dominante e aos processos que provocam no espetador, se estes forem críticos perante o sistema ou se tenderem à sua reprodução, e da sua posição com respeito à indústria capitalista ou aos modos de produção dominantes. Analisarão-se diversos casos de filmes que pretendem ocultamente a transmissão da ideologia dominante, diversos casos de cinema social que não atinge uma representação crítica da realidade, e finalmente outros exemplos que sim o conseguem e, aliás, aumentam a capacidade crítica do espetador. Por último, reflexionará-se sobre a necessidade da análise ideológica e política dos filmes e sobre o papel do cinema nos processos de mudança social.
Os filmes analisados, dos quais serão projetados determinados fragmentos e sobre os quais se abrirá o seu correspondente debate, serão: Intolerância (D.W. Griffith, 1916), O velho e o novo (Sergei Eisenstein, 1929), Aurora de esperanza (Antonio Sau,1936), Desaparecido (Valentin Costa-Gavras, 1982), Os lunes ao sol (Fernando León de Aranoa, 2002), O odio (Matthieu Kassovitz, 1995), Laurence anyways (Xavier Dolan, 2012), Dead man (Jim Jarmusch, 1995), Os limites do control (Jim Jarmusch, 2009), Rosetta (Luc e Jean-Pierre Dardenne, 1999), No quarto da Vanda (Pedro Costa, 2000), Fai o que debas (Spike Lee, 1989), 4 meses, 3 semanas e 2 días (Cristian Mungiu, 2007) e Princesas (Fernando León de Aranoa, 2005).

Quarta-feira, 29
Projeção e colóquio
The Act of Killing,
realizada por Joshua Oppenheimer
Em 1965, no decurso do que foi conhecido como Movimento de 30 de setembro, o general Suharto deu um golpe de Estado contra o primeiro presidente da Indonésia, Sukarno, quem tinha estado no poder desde 1945 e, com a ajuda da União Soviética e da China, apoiava e protegia ao Partido Comunista Indonésio (PKI). Suharto nomeou a dous gângsteres, Anwar Congo e Ady Zulkadry, para liderarem um esquadrão da morte que identificaria, perseguiria, torturaria e assassinaria todos os membros do Partido Comunista e a toda pessoa suspeita de ser a favor do comunismo. A perseguição estendeu-se até finalmente Sukarno renunciar à presidência o 12 de março de 1967.
O documentário The Act Of Killing (2012) é uma olhada fria a essa época no meio dos anos 60, quando Anwar Congo assassinou perto de mil pessoas de aproximadamente um milhão que morreram por serem considerados comunistas: entre agricultores, sindicalistas, intelectuais e chineses que residiam no país.
O interessante do documentário é que não contém material de arquivo, mas os sucessos de essa época foram dramatizados pelas próprias vítimas, o qual suscitou uma resposta crítica e uma receção de público muito enfrentada entre quem considera excessivos o sadismo dos assassinos e o cinismo dos diretores e os que o consideram um filme valente e necessário.

Quinta-feira, 30
Xoán Doldán García
Economista
A necessidade do descida energética
“Ainda que a ideia do crescimento e a ideia do progresso possam ser muito atrativas, temos uma situação demasiado complicada. Essas ideias podem mesmo ser sedativas: se confiarmos em que isto se vai solucionar de um jeito ou doutro, em que esse progresso baseado no crescimento é possível de uma forma continuada, ao final, por não termos tomado determinações no tempo, os problemas serão maiores. […] Temos que ser conscientes da realidade e procurar soluções que tenham em conta as limitações atuais. E isso obriga a tomar decisões que som radicais. Além disso, haverá que toma-las o mais rapidamente possível, porque de não ser assim, cada vez as soluções terão que ser mais drásticas e dolorosas. E daí sairá um mundo que não tem por que ser necessariamente pior. Terá que ser um mundo diferente.”
Xoán Doldán é professor titular de Economia aplicada na USC, membro do coletivo Véspera de Nada, supervisor do Guia para o descenso enerxético, promotor do manifesto Derradeira chamada e membro do conselho de redação da futura revista 15/15\15, atualmente em processo de crowdfunding.

Sexta-feira, 31
Daniel Espiñeira
Informático
Guifi.net. Uma rede aberta, livre e neutral
Guifi.net é uma rede de telecomunicações autogerida aberta a todos os seus participantes. É um projeto colaborativo organizado horizontalmente em que participam particulares, coletivos, administrações públicas, empresas e universidades. Guifi.net luta por garantir um acesso universal à Internet e por uma rede livre do controlo de governos e mercados. Mais de 25.000 nodos participam de Guifi.net no estado, na Galiza perto de 100 operativos e quase 400 projetados, e em processo de implantação nos cinco continentes. Una-se, faça rede!

Todas as palestras terão lugar às 20h00 no local da CNT de Compostela, na rua García Prieto, 24-28